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Sociedade sustentável

por Pedro Brinca, em 07.02.13

O Governo vai apelar aos portugueses para não comprarem peixe abaixo das dimensões mínimas exigidas, para alertar para a importância de poupar os juvenis, de modo a permitir a sustentabilidade da pesca, lia-se esta semana na comunicação social.

Nas últimas décadas foi-se generalizando a consciência de que os recursos da natureza não são ilimitados, obrigando a várias alterações de comportamento. Abrandou-se significativamente o a utilização desmesurada de matérias-primas com os olhos postos na sustentabilidade do sistema. Isto é, a garantia de que o que se consome hoje não vai comprometer o futuro.

O conceito de desenvolvimento sustentável foi usado pela primeira vez em 1987, num relatório elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas que apontava para o cuidado de se “satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades”, possibilitando que “as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e económico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais”.

Longe vão, felizmente, os tempos em que a ganância permitiu as maiores atrocidades cometidas contra o meio ambiente, em nome do lucro a qualquer custo. Apesar de algumas vozes resistentes, apesar de alguns casos pontuais, hoje todos percebem que de nada servirá a riqueza se o mundo não tiver condições de habitabilidade ou deixar de permitir sequer a subsistência do homem.

Mas a ganância continua presente na nossa sociedade. É essa ganância que faz com que, em plena crise económica que assola o país, com milhares de histórias dramáticas de vida de que se ouve falar diariamente, o BPI tenha conseguido 250 milhões de euros de lucros no ano passado. E o seu presidente ainda se foi lamentar para a Assembleia da República de que os banqueiros são vistos como "vampiros sociais" e "monstros".

Mas há um fator a ser esquecido. É que a delapidação desses milhões aos cidadãos não tem em conta a sustentabilidade do sistema. Na definição das Nações Unidas, citada acima, não se falava apenas de ambiente, mas de “ desenvolvimento social e económico”.

Os sem-abrigo “aguentam”, que remédio, mas não contribuem. Quando se coloca uma grande parte da população na miséria, a viver de subsídios, de apoios sociais, e sem consumir nem produzir, compromete-se seriamente as gerações futuras e isso é o contrário do conceito de desenvolvimento sustentável. No modelo de sociedade existente, para se poder produzir alguém tem que consumir. Quando se reduz esta parte da parcela as contas vão tender para zero e isso não serve a ninguém.

 

Pedro Brinca

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publicado às 15:35





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