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A demissão da oposição

por Pedro Boucherie Mendes, em 06.02.13

É difícil, bem difícil, ter respeito pelo Parlamento. E quando a imprensa de uma forma geral é mansa e inclinada, pior ainda. Não sei se repararam, mas não há comissão parlamentar para discutir a reforma do estado porque os partidos da oposição se recusaram sequer a fazer parte da comissão. Donde, digo eu, se baldaram às suas responsabilidades. Ninguém pareceu notar muito essa manobra do mais puro calculismo eleitoral, a começar pelos jornalistas, mais preocupados com a expressividade de Fernando Ulrich, com o cv de um novo secretário de Estado ou as eleições no Sporting. Pessoalmente não faço ideia do que se iria discutir, nem dos méritos das propostas, mas sei que é no Parlamento que estas coisas devem ser discutidas.
Mas a grande novidade da semana é a fraca adesão nas empresas privadas aos duodécimos. Ou seja, a maioria das pessoas (com emprego) conseguiu acomodar um corte líquido de quase dez por cento no seu rendimento mensal. Pode então dizer-se que as pessoas têm a vida menos difícil do que comummente (isto é, os jornalistas e aqueles que os jornalistas ouvem) julgavam. Como os jornalistas não estavam bem à espera, e portanto não tinham preconceitos suficientes para reagir, deixaram o assunto morrer, até porque há coisas mais folclóricas com que se preocuparem. O que demonstra que Ulrich tem toda a razão, diga-se de passagem, quando afirma que as pessoas aguentam mais e mais, embora a questão não seja essa. O que se trata é de saber se as pessoas merecem. Merecem? Merecem que o seu rendimento líquido seja sucessivamente cortado por mais aumento de impostos? Claro que não merecem. Evidente que não merecem, mas alguém tem de pagar o estado social que os partidos da oposição se recusam sequer a discutir, quanto mais a refundar. Felizmente para os seus amigos jornalistas, parece que mantém a disponibilidade total para prestar declarações sobre os assuntos do costume, dizendo as coisas do costume, porque Portugal só é verdadeiramente calmo e manso quando o pensamento único domina o debate público.

P.S. Bem esteve o socialista Vieira da Silva, que parece que se preocupa com coisas além do combate Seguro/Costa e afirma, e bem, que o PS deveria ter participado na comissão para a reforma do Estado. 

 

Pedro Boucherie Mendes

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publicado às 15:44


1 comentário

De abcdamatrafice a 07.02.2013 às 00:39

Boa noite

Todos os partidos São iguais, mal de nos se pensamos o contrario, se algum fizesse alguma coisa que prestasse o poder não andava sempre a saltar... a politica portuguesa tornou-se uma máfia ou pelo menos mais do que sempre foi.

a única coisa que os partidos fazem entre si é insultar e criticar politicas anteriores, resolver os problemas do pais ou facilitar a sua resolução é que não.... se não nunca iam para o poder... e todos querem raspar muito bem o tacho.

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  • silva

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