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Acima da Média?

por Paulo Guinote, em 31.01.13

Dizem-nos os auto-proclamados refundadores do Estado que em Portugal é preciso cortar no gorduroso Estado Social e em especial na Educação, sector onde alegam que se tem gasto rios de dinheiro, acima das médias internacionais gritar eles com repúdio e horror, sem que exista um retorno visível e razoável.


É mentira, mas parece que eles nos querem fazer acreditar nisso, apostando no desconhecimento dos factos e na ausência de memória sobre um passado não assim tão recente. Reparemos no que se escrevia em 2005 na publicação da Unesco The growth of literacy in historic perspective: clarifying the role of formal schooling and adult learning opportunities.

 

"Historians of literacy in the early twentieth century, using primarily available census data show relative continuity in literacy levels from the mid-nineteenth century as discussed at greater length in the second section of this paper. While all countries progressed, their order remained unchanged (Johansson in Graff, 1987, Vincent, 2000). Central and Northern Europe were reported to have achieved over 95 percent literacy; Western Europe, over 80 percent; Austria and Hungary, over 70% (major growth); Spain, Italy and Poland, over 50 percent; and Portugal and orthodox Catholic countries, only around 25 percent. (…)

 

According to Johansson and Graff, Southern and Eastern Europe was 80 percent literate by 1950 with the exception of Portugal, the Mediterranean islands and Albania (with a rate of about 50%). Although literacy levels were rising, no major social and economic change took place. Poor people and poor nations as well as poor regions within nations remained (and remain) poor."

 

Portugal aliou sempre o atraso económico ao atraso educativo e ter sempre desperdiçado os raros e curtos momentos de prosperidade para investir verdadeiramente na Educação ou, em alternativa, em ter apostado na Educação como prioridade efectiva quando a situação era de recessão.

 

Em meados do século XX a situação ainda era calamitosa e os avanços não tinham estreitado o desfasamento em relação aos países mais avançados e fizeram mesmo descolar negativamente dos restantes mais atrasados:

 

 

 

Os dados sobre os gastos, em termos de longa duração, do Estado no sector da Educação, demonstram ainda como o peso do investimento no PIB foram sempre muito baixos até aos anos 90 e só episodicamente afloraram os 5%: Os dados são da Pordata.

 

 

 

.Em Portugal chegámos à segunda metade do século XX sem qualquer tipo de verdadeira sustentação do investimento público no sistema educativo e pretendemos logo passar para a segunda fase, em que Educação e Economia devem andar a par. Isto não é colocar a carroça à frente dos burros, porque nesse caso, os burros sempre a podem empurrar; é colocar carroça e burros lado a lado e esperar que, por um passe de mágica, ambos arranquem ao mesmo tempo e continuem o seu caminho.

 

O problema, pois, está no bom e velho desconhecimento da evolução histórica dos fenómenos sociais – problema de alguma sociologia apressada – que tende a acreditar que as soluções se acham em fórmulas imediatas, artificiais, e sem qualquer sustentação, só porque algures a coisa funcionou. Sem que se estude como é que, nesses algures, se chegou a determinado estado de desenvolvimento. Isso e a, pelo menos aparente, permanência de uma crença cega nas capacidades de aceleração da História sobre que Trotsky escreveu há cerca de 90 anos, mas que já se viu nem sempre ser uma aposta segura para dar resultados firmes.

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publicado às 13:05





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